segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MÓDULO 2 - Doação de Plaquetas

A plaqueta sanguínea ou trombócito é um fragmento de célula presente no sangue que é formado na medula óssea. A sua principal função é a formação de coágulos, participando portanto do processo de coagulação sanguínea.
Uma pessoa normal tem entre 150.000 e 400.000 plaquetas por mm³ (ou por ml) de sangue. Sua diminuição ou disfunção pode levar a sangramentos, assim como seu aumento pode aumentar o risco de trombose.


Trombocitopenia (ou plaquetopenia) é a diminuição do número de plaquetas no sangue.

Trombocitose (ou plaquetose) é o aumento do número de plaquetas no sangue.


Fisiologia

 
Produção - Formada na medula óssea, as células que geram a formação das plaquetas são os megacariócitos. Megacariócito é uma célula grande e multinucleada e as plaquetas nada mais são do que fragmentos do seu citoplasma. Sua produção é estimulada pelo hormônio trombopoietina, formado no fígado.

Circulação - A plaqueta circula no sangue durante 5 dias, em média. Depois disso, ela é sequestrada pelo baço e destruída pelo mesmo. Quando o baço está com sua função afetada ou quando uma pessoa retirou o baço (paciente esplenectomizado) ocorre um aumento do número de plaquetas. No caso de uma pessoa com hiperesplenismo (atividade aumentada do baço) ocorre uma diminuição do número de plaquetas.

Função - As plaquetas participam na formação da rolha hemostática, são ativadas por exposição ao colágeno. Depois que ocorre a ativação, elas se aderem ao subendotélio lesado, ali se acumulam e se ligam entre si formando um trombo que é posteriormente estabilizado.

Adesão plaquetária - Quando um vaso sanguíneo é lesado, ocorre exposição da plaqueta ao colágeno. Neste momento ocorre a secreção de fator de von Willebrand (FvW) que irá se ligar a uma proteína presente na membrana superficial das plaquetas, a glicoproteína (GPIb). O fator de von Willebrand serve como uma ponte de ligação entre as plaquetas e o endotélio. Quando uma pessoa tem falta de GPIb, ela é acometida pela síndrome de Bernard-Soulier. Pessoas que tem falta, diminuição ou um fator de von Willebrand disfuncional elas são acometidas pela doença de von Willebrand. Em ambos os casos, suas plaquetas não conseguem aderir normalmente ao subendotélio.

Ativação plaquetária - Após a adesão das plaquetas ao subentotélio, novas plaquetas são ativadas e acabam aderindo a essas plaquetas. Durante esta ativação, as plaquetas mudam sua forma, emitindo pseudópodes e se agregam. Os grânulos plaquetários são liberados.

Problemas Quantitativos - Uma pessoa normal tem entre 150.000 e 400.000 plaquetas por mm³ de sangue. 95% das pessoas saudáveis possuem uma contagem plaquetária dentro desta faixa.

Trombocitopenia - Trombocitopenia (ou plaquetopenia) é a diminuição do número de plaquetas no sangue. Podem ser causas de trombocitopenia: púrpura trombocitopênica idiopática, púrpura trombocitopênica trombótica, trombocitopatias genéticas. Alguns medicamentos podem induzir a trombocitopenia. Em casos de gravidez pode ocorrer diminuição no número de plaquetas (em casos de grávidas com síndrome HELLP). Pessoas que fazem quimioteprapia tem uma diminuição do número de plaquetas. Pacientes com síndrome urêmica hemolítica.
Tanto a trombocitopenia quanto a trombocitose (ver abaixo) podem estar presentes em problemas de coagulação. Geralmente, a trombocitopenia aumenta o risco de sangramento (com exceção de plaquetas diminuídas por anticorpo anti-heparina) e a trombocitose pode aumentar o risco de trombose.

Trombocitose - Trombocitose (ou plaquetose) é o aumento do número de plaquetas no sangue. Trombocitose em casos de trombocitemia essencial. Podem ocorrer aumento do número de plaquetas em pacientes com anemia ferropriva. Ocorre aumento de plaquetas no período inicial pós-hemorrágico, pós cirúrgico e pós-traumático. Pacientes que retiram o baço (esplenectomizados) tem aumento de plaquetas.

Problemas Qualitativos - Quando uma pessoa tem o número de plaquetas dentre a normalidade não significa que ela não poderá ter problemas de coagulação. Se a plaqueta estiver com número adequado mas com a função prejudicada (ou seja disfuncional), uma pessoa poderá ter problemas de coagulação. Entre estas disfunções encontram-se deficiências em factor de von Willebrand e deficiências nas glicoproteínas membranares que estabelecem ligação ao factor von Willebrand e/ou ao fibrinogénio.
Dentre as mais comuns doenças relacionadas a disfuncionalidade da plaqueta estão: Doença de von Willebrand, Síndrome Scott, Trombastenia de Glanzmann e Síndrome de Bernard-Soulier.

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Uso Medicinal e Transfusional

Nos bancos de sangue, para utilização em transfusão sanguínea, as plaquetas são separadas do sangue total em bolsa de concentrado de plaquetas, que contém em torno de 50 ml plasma com 60 a 70% das plaquetas do sangue que lhe deu origem. Tem validade por três a cinco dias apenas.

Estrutura

As plaquetas são fragmentos de megacariócitos (células da medula óssea). São anucleadas, isto é, desprovidas de núcleo (assim como as hemácias), medem de 1,5 - 3,0 micrômetros de diâmetro e circulam no sangue com o formato de disco achatado quando não estão estimuladas. Quando estimuladas, as plaquetas podem atuar na coagulação sangüínea das formas física(quando sua estrutura celular interage fisicamente com algumas fibras para fim de diminuição da hemorragia) e química(quando há liberação de fatores de coagulação, por exemplo).
As plaquetas contêm RNA, mitocôndria, um sistema canicular, e vários tipos de grânulos; lisossomos (contendo ácido hidrólico), corpos densos (contendo ADP, ATP, serotonina, histamina, e cálcio) e alfa grânulos (contendo fibrinogênio, fator V, vitronectina, trombospondina e fator de von Willebrand).

 
Critérios para Doação

São os mesmos exigidos para uma doação normal de sangue:  

·             Estar em boas condições de saúde;
·             Ter entre 18 e 65 anos;
·             Pesar mais de 50 quilos;
·             Não estar em jejum;
·             Não ter ingerido alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação;
·             Ter dormido ao menos seis horas no dia anterior à doação;
·             Mostrar um documento de identificação com foto no dia de se apresentar ao hemocentro;

Importante:

·         É preciso que o doador apresente uma quantidade plaquetária acima de 150.000/mm3 de sangue;
·         Esteja com as veias em boas condições (para facilitar o procedimento);
·         Não tenha tomado, sete dias antes, medicamentos anticoagulantes (que dificultam a coagulação), como os que contêm ácido acetilsalicílico;

Vale lembrar que um mesmo indivíduo pode doar plaquetas até quatro vezes por mês, respeitando o intervalo de 48 horas entre cada doação.






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